Friday, November 16, 2012

Ilse Losa: uma escritora luso-alemã




 Ilse Losa | O Mundo em que vivi
Edições Afrontamento
"Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra mundial, até ao avolumar de crises que por fim a obrigam ao exílio mesmo na iminência de um destino trágico num campo de concentração..."

Edições Afrontamento

Ilse Losa 1913-2006

"Há livros escritos para crianças que suplantam em valor literário uma longa fiada de volumosos romances para adultos, do mesmo modo que um pequeno desenho a carvão suplanta, tantas vezes, grandes composições policromáticas a óleo".

Ilse Losa
Ilse Lieblich Losa nasceu na Alemanha em 1913. Pela sua qualidade de judia, foi obrigada a fugir da Alemanha, durante a perseguição nazi, e acompanhando seus pais, refugiou-se em Portugal, onde adquiriu a nacionalidade portuguesa. Radicou-se no Porto, onde casou em 1935 com o arquitecto Arménio Taveira Losa, tendo adquirido a nacionalidade portuguesa.

Ilse Lieblich Losa, escritora portuguesa de origem alemã e de ascendência judaica, nasceu a 20 de Março de 1913, em Bauer, uma cidade perto de Hanover.

Escritora de grande prestígio e de larguíssima bibliografia, publicou romances, contos, crónicas, trabalhos pedagógicos e muita literatura para crianças. Mas é onhecida principalmente pelos seus livros para crianças.

Recebeu o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da sua obra para crianças.Foi candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen.Tem vários livros publicados na Alemanha.

Em 1982 o seu livro " A Quinta das Cerejas" obteve o "Prémio Gulbenkian de Texto". E em 1984, Ilse Losa obteve o "Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças", pelo conjunto da sua obra para crianças.



livr_losa.jpg

Ilse Losa | O Expositor (2006)
Ilustração António Modesto

Edições Afrontamento


"Há livros escritos para crianças que suplantam em valor literário uma longa fiada de volumosos romances para adultos, do mesmo modo que um pequeno desenho a carvão suplanta, tantas vezes, grandes composições policromáticas a óleo".



Ilse Losa


Foi candidata portuguesa ao "Prémio Hans Christian Andersen". Tem vários livros publicados na Alemanha. Também com livros publicados em França.

A autora de "O Mundo em que Vivi" morreu aos 92 anos no dia 6 de Janeiro 2006.


Com o Porto, cidade que a acolheu num período difícil da sua vida, Ilse Losa manteve sempre uma relação de proximidade.



Para o historiador Helder Pacheco, que chegou a ser vizinho da escritora, o segredo residiu em "perceber e adaptar-se à cidade."

De "O Mundo em que vivi", uma obra ce cáracter autobiográfico, escreveu Óscar Lopes:

"Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra Mundial, até ao avolumar de crises (inflação, desemprego, assassínio de Rathenau,aumento de influência e vitória dos Nazistas) que por fim a obrigam ao exílio mesmo na iminência de um destino trágico num campo de concentração." (...)

 
Ilse Losa | O Quadrio Roubado
Edições ASA

Actividades:

Nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos desenvolveram as seguintes actividades:
A autora viveu uma grande parte da sua vida na Foz do Douro, bem perto da escola. Havia alunos nas turmas que moravam perto de Ilse Losa.
  • Em grupo restrito fizeram uma pequena reportagem, recolhendo testemunhos de vizinhos
  • Pesquisa sobre a autora e sua obra infanto-juvenil
  • Elaboração de um jornal de paredes: notícias saídas nos jornais sobre a autora, após a sua morte
  • Leitura em grupos de obras "O Mundo em que vivi"; "O Quadro Roubado",
  • seguida de análise de conteúdo (perseguição nazi aos judeus, crianças enviadas e mortas em campos de concentração), seguida do estudo da Narrativa
  • Selecção de diários de guerra de crianças: Diário de Anne Frank, Diário de Zlata
  • Elaboração de textos de escrita criativa: poesia, contos, relatos de guerra de jovens
  • Publicação no sítio web da escola de uma pequena homenagem à autora (posteriormente retirada
  • Elaboração de um curta homenagem a Ilse Losa no BlogdosCaloiros como introdução às actividades
  • Apresntação de Ilse Losa: écrivain portugaise d'origine allemande no BlogSkidz, blogue de intercâmbio culturas de escolas França-Portugal com alunos dos Lycée Charles DeGaulle
  • Trabalho transdisciplinar dos currículos de Lingua Portuguesa | História | EVT



Em 2013, a Biblioteca de Esposende comemorou o centenário da escritora (1913-2013), iniciativa que visou recordar a conceituada escritora, de origem alemã, que manteve forte ligação a Esposende, recordando assim a sua obra.

"Ser judia

O primeiro dia da escola. A saca às costas, caminhei ao lado da minha mãe, cheia de curiosidade e de receios. O sr. Brand, o professor, distribuía sorrisos animadores aos meninos, que o fitavam com desconfiança. A barba grisalha e o colarinho engomado davam-lhe um ar de austeridade, mas os olhos alegres protestavam contra tal impressão. Começou por nos falar, e doseava serenidade com humor para afugentar os nossos medos. De todas as escolas por que passei, a de que verdadeiramente gostei foi a escola primária. Quando o sr. Brand tomou nota do meu nome ninguém se virou para mim com sorrizinhos por soar a judaico, ninguém achou estranho eu responder «Israelita» à pergunta do sr. Brand à minha religião. Fora a mãe que me recomendara: «Quando o sr. Brand te perguntar pela religião, diz-lhe que és israelita. Soa melhor do que judia». Eu não concordava, porque achava «israelita» uma palavra estranha que não parecia pertencer à minha língua e, por isso, corei de embaraço ao pronunciá-la. E quando o sr. Brand quis saber a profissão do meu pai respondi «negociante de cavalos». Coisa natural. Muitos alunos eram filhos de lavradores e conheciam o meu pai. Não me sentia envergonhada daquilo que eu e o meu pai éramos, como aconteceria mais tarde, no liceu, quando a minha mãe me recomendou que às perguntas respondesse, além de «sou israelita», que o meu pai era «comerciante».
(...)

No primeiro dia de aulas tivemos de dizer o nosso nome e profissão do pai e a religião. Conforme recomendação da minha mãe eu disse:
- O meu pai é comerciante. Sou israelita.
Na escola primaria tudo fora natural. No liceu colegas viraram-se e olharam-me. Mais duas judias faziam parte da turma e uma delas, Hanna Berg, respondeu à pergunta com voz firme: «Sou judia». Os gestos de Hanna eram extraordinariamente vivos e comunicativos, enquanto nos seus olhos havia a expressão dessa melancolia penetrante das seculares lendas de sabedorias e flagelos."

Ilse Losa, O Mundo em que vivi (excertos)





Comentário:

Os alunos empenharam-se profundamente nas actividades propostas e sentiram-se muito ligados ao tema da perseguição de crianças e adolescentes em regimes de guerra.

Sabiam alguns alunos que a escritora vivera bem perto da escola que frequentavam. Esse facto também despertou o interesse. Uma jovem judia pudera fugir da perseguição e viera viver para o Porto.

"Escrevo para todos e espero que todos me leiam”

Ilse Losa



Março 2006
G-Souto

17.11.2012
Copyright © 2012G-Souto'sBlog, gsouto-digitalteacher.blogspot.com®


actualizado em Dezembro 2913


Creative Commons License


2 comments:

Anonymous said...


Gostei muito de ler este seu post sobre a escritora Ilse Losa, admiro as várias actividades desenvolvidas no currículo de Português. Algumas delas, vou usar quando der " O Mundo em que vivi".

Um blogue cheio de boas experiências pedagógicas. Muito obrigada pela partilha.

Abraço,
Maria Eduarda

Gina Souto said...

Maria Eduarda,

Lamento só hoje agradecer seu amável comentário.

É que nem sempre passo por este meu blogue. Só em tempos de pausa, quando tenho disponibilidade para publicar mais alguma actividade desenvolvida em sala de aula com meus alunos.

Fico muito feliz em saber que podem ser usadas por outros professores. Foi com esse o objectivo que criei este espaço.
Partilhar experiências pedagógicas que resultaram numa melhor aprendizagem, e os alunos desenvolveram as capacidades requeridas pelos currículos de Linguas, mas com a introdução de ICT, dando, ao mesmo tempo. lugar à criatividade.

Muito obrigada pela sua presença. Volte sempre!

Abraço,