Saturday, January 5, 2013

Antigo Palácio de Cristal : história




Jardins do antigo Palácio de Cristal
Porto | Portugal

 
O Palácio de Cristal, jardins onde se situa o Pavilhão Rosa Mota é um dos espaços mais bonitos da cidade do Porto.


Falar do Palácio de Cristal é abrir uma porta do passado. Recordar a sua primitiva construção que não teve, nem tem relação alguma com a actual.



Palácio de Cristal | Exposição Internacional
Fotografia: C. Rocha
Revista O OCcidente (1879)

Inicialmente, a construção do edifício do Palácio de Cristal destinava-se à realização de exposições industriais, agrícolas e artísticas.

O edifício, inaugurado a 3 de Setembro de 1865 por el-rei D Luís (irmão de D. Pedro), era constituído por um grandioso edifício de granito, ferro e vidro, orçamentada em 108 contos. 

Media 150 metros de cumprimento por 72 metros de largura e era dividido em três naves. 

Ao fundo da nave central erguia-se um magnifico orgão, justamente considerado como um dos melhores do mundo e cujo destino se desconhece.

Palácio de Cristal foi ainda um importante espaço de cultura, e o órgão de tubos era dos maiores do mundo. Foi nesse palácio que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da virtuosa violoncelista Guilhermina Suggia.


Palácio de Cristal | Porto, Portugal


A Nave


A 18 de Setembro de 1865 é realizada a  grande Exposição Internacional Portuguesa em que participaram mais de 3000 expositores nacionais e estrangeiros entre outros, franceses, alemães, britânicos, belgas, brasileiros, espanhóis, dinamarqueses e representantes dos Estados Unidos, Japão, Turquia, Rússia e Holanda. 

Depois desta, realizou-se a Exposição da Rosas (
1879) e a Exposição Agrícola  (1903) e a
Exposição Colonial (1934)

O Palácio de Cristal foi ainda um importante espaço de cultura, contendo um órgão de tubos que era dos maiores do mundo. Foi neste palácio que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da violoncelista Guilhermina Suggia, virtuose conceituada a nível mundial.


Mas em 1933, a Câmara Municipal comprou o Palácio de Cristal e os seus terrenos e por deliberação da mesma, e com forte contestação dos portuenses, o edifício de 'Cristal' foi demolido em Dezembro de 1951, dando lugar a um Pavilhão dos Desportos que iria permitir a realização dos Campeonatos Mundial e Europeu de Hóquei em Patins, em 1952. 








Jardim das Rosas | Palácio de Cristal

A localização destes jardins sobre o rio Douro dá-lhe o poder de dominar um vasto horizonte que abrange parte da cidade do Porto e da vizinha cidade de Gaia (na outra margem do rio).

Esta magnífica vista panorâmica sobre o rio Douro estende-se da Ribeira até à Foz do Douro.

História

O Palácio de Cristal foi destruído em 1951, tendo sido erguido no seu lugar uma deselegante nave de betão armado. Esta nave continua hoje a ser chamada erroneamente de 'Palácio de Cristal', mas tal apenas se refere aos jardins do que restar do antigo palácio.



Pavilhão Rosa Mota
Jardins Palácio de Cristal
https://detrolhaaengenheiro.wordpress.com/

Nesta incaracterística calote semi-esférica de betão se realizou e1952, ainda com a abóbada incompleta,  o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, em que Portugal saíu vencedor.

Consagrado como  'Pavilhão de Desportos', foi rebaptizado com o nome de Rosa Mota (1990) em homenagem a uma das mais ilustres atletas portuenses.

Está em obras de requalificação que deverão dar-se por concluídas em 2013.

Os Jardins

O pavilhão está rodeado de belíssimos jardins, que possuem grande variedade de plantas, canteiros  de flores, e árvores centenárias como palmeiras, plátanos e tílias. São dignas de realce as longas avenidas da entrada ladeadas de plátanos e tílias.

Possui ainda um lago com a sua pequena ilha, múltiplos recantos verdejantes, miradouros, grutas artificiais.



Capela Rei Carlos Alberto | Palácio de Cristal


Ao fundo da Avenida das Tílias, encontra-se a capela que a princesa de Montléart mandou erguer em homenagem ao seu irmão, o Rei Carlos Alberto de Sabóia que viveu exilado no Porto. A capela de granito, apresenta linhas e adornos de influência italiana.


Inês Gil, 11 anos, 6C

19.01.07


*Nota: Este post fez parte de um projecto de introdução de ITC no currículo de Língua Portuguesa com alunos de 6º ano que levou à publicação de um blogue (2006-2007). 

As actividades da elaboração do blogue foram desenvolvidas em tempo lectivo. O blogue fez parte de um projecto de intercâmbio entre escolas europeias. O blogue foi descontinuado. Recuperados alguns dos temas mais interessantes.

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Palácio de Cristal | Porto

O Ocidente: Revista de Portugal e do Estrangeiro (digitalizada)

Tuesday, January 1, 2013

Sophia de Mello Breyner Andresen




Sophia de Mello Breyner Andresen
créditos: Botelho

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto em 6 de Novembro de 1919. Foi nessa cidade e na Praia da Granja que passou a sua infância e juventude. Frequentou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não chegou a terminar o curso. Morreu em Lisboa em 2004.

Foi mãe de cinco filhos que a motivaram a escrever contos infantis. Miguel de Sousa Tavares, escritor seguiu os passos da mãe e Pedro Sousa Tavares completou  o conto que sua avó deixou incompleto e foi recentemente publicado.

Obras poéticas:

Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral, (1950), No Tempo Dividido, (1954), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962) Geografia (1967), Dual (1972), Nome das Coisas (1977), Musa (1994).

Obras narrativas:

O Cavaleiro da Dinamarca, Contos Exemplares, Histórias da Terra e do Mar, A Floresta, A Menina do Mar, O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana, entre muitas outras.

Parte de sua obra literária encontra-se traduzida em França, Itália e nos Estados Unidos.




Sophia M.B. Andresen
créditos: autor não identificado

Em 1994 recebeu o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e, no ano seguinte, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos. 

O seu valor, como poetisa e figura da cultura portuguesa, foi também reconhecido através da atribuição do Prémio Camões, em 1999. 


Em 2001, foi distinguida com o Prémio Max Jacob de Poesia, num ano em que o prémio foi excepcionalmente alargado a poetas de língua estrangeira. 




A Menina do Mar
Sophia de Mello Breyner Andresen
https://www.fnac.pt/
"Em Setembro veio o equinócio. Vieram marés vivas, ventanias, nevoeiros, chuvas, temporais. As marés altas varriam a praia e subiam até à duna.

Certa noite, as ondas gritaram tanto, uivaram tanto, bateram e quebraram-se com tanta força na praia, que, no seu quarto caiado da casa branca, o rapazinho  esteve até altas horas sem dormir. As portadas das janelas batiam. 

As madeiras do chão estalavam como madeiras de mastros. Parecia que as ondas iam cercar a casa e que o mar ia devorar o Mundo. E o rapazito pensava que, lá fora, na escuridão da noite, se travava uma imensa batalha em que o mar, o céu e o vento se combatiam. Mas por fim, cansado de escutar, adormeceu embalado pelo temporal."

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Menina do Mar, 

Figueirinhas (excerto)


Os Ciganos 
Sophia Mello Breyner & Pedro Sousa Tavares
Ilustração: Danuta Wojciechowska
https://www.fnac.pt/
Os Ciganos teve início no fragmento de um conto de Sophia de Mello Breyner Andresen localizado no seu espólio na Primavera de 2009. O conto encontrava-se inacabado e Pedro Sousa Tavares, jornalista e neto da escritora, assumiu a responsabilidade de continuar a história.

Sinopse: "Ruy vive numa casa com demasiadas regras e muitas rotinas. Um dia, é surpreendido pelo rataplã de um tambor que o desafia a saltar o muro do jardim e a percorrer os campos ao encontro de um acampamento de ciganos. Com eles acaba por ficar e, inspirado pelo espírito indomado de Gela, descobre o prazer de sentir o chão debaixo dos pés, experimentando, enfim, a liberdade pela qual sempre suspirou." Uma história sobre o irresistível apelo da liberdade e sobre a descoberta do outro e suas diferenças.
 
Desde Outubro 2012 que a obra em prosa de Sophia M. Breyner Andresen está a ser publicada pela Porto Editora.
 
Para assinalar o 93º aniversário do nascimento da autora, vão ser publicados A Fada Oriana, A Menina do Mar e Quatro Contos Dispersos. 
 
Paralelamente, vai ser colocada on-line uma página dedicada à poetisa. 
O Colar, teatro
 Sophia M. Breyner
Ainda este ano chega às livrarias a peça O Colar, datada de 2001 (Figueirinhas), que faz parte do Plano Nacional de Leitura,6º ano.

Sinopse:

"A juventude é cheia de ignorância, de sonhos, de loucuras, e qualquer suspiro ou brisa a perturba. É cheia de paixões perigosas e de ilusões arrogantes. Estas são palavras do tutor da Vanina, a jovem veneziana que se alimenta dos próprios sonhos até ser despertada…"
O Colar é uma peça de teatro que tem como cenário a cidade de Veneza e apresenta a história da jovem Vanina, que se apaixona por Pietro, um fidalgo arruinado que ganha a vida a (en)cantar pelos canais da cidade. 

A partir do primeiro semestre de 2013, estão previstas novas edições de A Árvore.
A Floresta, O Rapaz de Bronze, As histórias da terra e do mar e Contos Exemplares


A primeira obra de Sophia publicada por esta editora, foi o conto inédito inacabado Os Ciganos, que o neto, Pedro Sousa Tavares, concluiu.


Inês Gil, 12 anos, 6C
Cláudia Carneiro, 11 anos 6C
 
13.06.2007

*Nota: Este post fez parte de um projecto de introdução das ITC no currículo de Língua Portuguesa com alunos de 6º ano e que levou à produção e publicação de um blogue (2006-2007). 

As actividades de produção de posts para esse blogue foram desenvolvidas em tempo lectivo. 

O blogue fez parte de um projecto de intercâmbio entre escolas europeias. 

Mais tarde, o blogue foi descontinuado. Recuperados alguns dos temas mais interessantes passarão a constar aqui.
 
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Friday, November 16, 2012

Ilse Losa: uma escritora luso-alemã que viveu no Porto






O Mundo em que Vivi
 Ilse Losa |
Edições Afrontamento
"Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra mundial, até ao avolumar de crises que por fim a obrigam ao exílio mesmo na iminência de um destino trágico num campo de concentração..."

Prof. Dr. Óscar Lopes, 
in Edições Afrontamento




Ilse Losa 1913-2006
"Há livros escritos para crianças que suplantam em valor literário uma longa fiada de volumosos romances para adultos, do mesmo modo que um pequeno desenho a carvão suplanta, tantas vezes, grandes composições policromáticas a óleo".

Ilse Losa





O Mundo em que Vivi
Ilse Losa
Maranus/ Porto 1949


Ilse Lieblich Losa nasceu na Alemanha em 1913. Por ser judia, foi obrigada a fugir da Alemanha, durante a perseguição Nazi, e acompanhando seus pais, refugiou-se em Portugal, e adquiriu a nacionalidade portuguesa. 

Aos 21 anos, radicou-se em Portugal, na cidade do Porto, onde o irmão mais velho, Fritz Lieblich, já residia. Aqui casou em 1935 com o arquitecto Arménio Taveira Losa, tendo adquirido a nacionalidade portuguesa.

Ilse Lieblich Losa, escritora portuguesa de origem alemã e de ascendência judaica, nasceu a 20 de Março de 1913, em Bauer, uma cidade perto de Hanover.






Escritora de grande prestígio e de vasta bibliografia, publicou romances, contos, crónicas, trabalhos pedagógicos e muita literatura para crianças. Mas é conhecida principalmente pelos seus livros para crianças.

Recebeu o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da sua obra para crianças. Foi candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen.Tem vários livros publicados na Alemanha.

Em 1982 o seu livro " A Quinta das Cerejas" obteve o "Prémio Gulbenkian de Texto". E em 1984, Ilse Losa obteve o "Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças", pelo conjunto da sua obra para crianças.








O Expositor 
Ilse Losa (1982)
Ilustração António Modesto
Edições Afrontamento


"Há livros escritos para crianças que suplantam em valor literário uma longa fiada de volumosos romances para adultos, do mesmo modo que um pequeno desenho a carvão suplanta, tantas vezes, grandes composições policromáticas a óleo".



Ilse Losa



Foi candidata portuguesa ao "Prémio Hans Christian Andersen". Tem vários livros publicados na Alemanha. Também com livros publicados em França.






Ilse Losa 1913-2006

A autora de O Mundo em que Vivi morreu aos 92 anos no dia 6 de Janeiro 2006.

Com o Porto, cidade que a acolheu num período difícil da sua vida, Ilse Losa manteve sempre uma relação de proximidade.



Para o historiador Helder Pacheco, que chegou a ser vizinho da escritora, o segredo residiu em "perceber e adaptar-se à cidade."


Segundo Óscar Lopes "os seus livros são uma só odisseia interior de uma demanda infindável da pátria, do lar, dos céus a que uma experiência vivida só responde com uma multiplicidade de mundos que tanto atraem como repelem e que todos entre si se repelem".



Silka
Ilse Losa
ilustração: Manuela Bacelar
Livros Horizonte, 1984


Em 1989 ganhou o Prémio Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava, pelo conto Silka.

O livro relata uma lenda nórdica que um dia contaram a Ilse Losa e que ela recria à sua maneira: bela e triste. Uma menina, Silka, enamora-se de Reinaldo e com ele vai viver para o fundo do mar.

Em Junho de 1995 foi feita Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.


Sobre O Mundo em que Vivi, uma obra ce carácter autobiográfico, escreveu Óscar Lopes:

"Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra Mundial, até ao avolumar de crises (inflação, desemprego, assassínio de Rathenau,aumento de influência e vitória dos Nazistas) que por fim a obrigam ao exílio mesmo na iminência de um destino trágico num campo de concentração." (...)

Professor Dr. Óscar Lopes


 

 O Quadro Roubado
Ilse Losa
ilustração: João Nunes, 1985
Edições ASA

Actividades:

A autora viveu uma grande parte da sua vida na Foz do Douro, bem perto da escola. Havia alunos nas turmas que moravam perto de Ilse Losa.

Nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos desenvolveram as seguintes actividades:
  • Em grupo restrito fizeram uma pequena reportagem, recolhendo testemunhos de vizinhos;
  • Pesquisa sobre a autora e sua obra infanto-juvenil;
  • Elaboração de um Jornal de Parede: notícias saídas nos jornais sobre a autora, após a sua morte;
  • Leitura em grupos de obras O Mundo em que Vivi; O Quadro Roubadoseguida de análise de conteúdo (perseguição Nazi aos judeus, crianças enviadas e mortas em campos de concentração), seguida do estudo do Texto Narrativo;
  • Elaboração de textos de escrita criativa: poesia, contos, relatos de guerra de jovens;
  • Publicação no sítio web da escola de uma pequena homenagem à autora (posteriormente retirada);
  • Elaboração de um curta homenagem a Ilse Losa no BlogdosCaloiros como introdução às actividades
  • Apresentação de Ilse Losa: écrivain portugaise d'origine allemande no BlogSkidz, blogue de intercâmbio cultural entre escolas França-Portugal com alunos do Lycée Charles DeGaulle;

  • Trabalho transdisciplinar dos currículos de Língua Portuguesa | História | EVT






Em 2013, a Biblioteca de Esposende comemorou o Centenário da escritora (1913-2013), iniciativa que visou recordar a conceituada escritora, de origem alemã, que manteve forte ligação a Esposende, recordando assim a sua obra.

Também nesse ano, Ilse Losa foi celebrada com um selo integrado na Colecção Vultos da História e Cultura.





Selo comemorativo Ilse Losa
CTT Portugal, 2013


Excerto: 

"Ser judia

O primeiro dia da escola. A saca às costas, caminhei ao lado da minha mãe, cheia de curiosidade e de receios. O sr. Brand, o professor, distribuía sorrisos animadores aos meninos, que o fitavam com desconfiança. A barba grisalha e o colarinho engomado davam-lhe um ar de austeridade, mas os olhos alegres protestavam contra tal impressão. Começou por nos falar, e doseava serenidade com humor para afugentar os nossos medos. De todas as escolas por que passei, a de que verdadeiramente gostei foi a escola primária. Quando o sr. Brand tomou nota do meu nome ninguém se virou para mim com sorrizinhos por soar a judaico, ninguém achou estranho eu responder «Israelita» à pergunta do sr. Brand à minha religião. Fora a mãe que me recomendara: «Quando o sr. Brand te perguntar pela religião, diz-lhe que és israelita. Soa melhor do que judia». Eu não concordava, porque achava «israelita» uma palavra estranha que não parecia pertencer à minha língua e, por isso, corei de embaraço ao pronunciá-la. E quando o sr. Brand quis saber a profissão do meu pai respondi «negociante de cavalos». Coisa natural. Muitos alunos eram filhos de lavradores e conheciam o meu pai. Não me sentia envergonhada daquilo que eu e o meu pai éramos, como aconteceria mais tarde, no liceu, quando a minha mãe me recomendou que às perguntas respondesse, além de «sou israelita», que o meu pai era «comerciante».
(...)

No primeiro dia de aulas tivemos de dizer o nosso nome e profissão do pai e a religião. Conforme recomendação da minha mãe eu disse:

- O meu pai é comerciante. Sou israelita.

Na escola primaria tudo fora natural. No liceu colegas viraram-se e olharam-me. Mais duas judias faziam parte da turma e uma delas, Hanna Berg, respondeu à pergunta com voz firme: «Sou judia». Os gestos de Hanna eram extraordinariamente vivos e comunicativos, enquanto nos seus olhos havia a expressão dessa melancolia penetrante das seculares lendas de sabedorias e flagelos."

Ilse Losa, O Mundo em que vivi (excertos)






Comentário:

Os alunos empenharam-se com entusiasmo nas actividades propostas e sentiram-se muito ligados ao tema da perseguição de crianças e adolescentes em regimes de guerra.

Sabiam alguns alunos que a escritora vivera bem perto da escola que frequentavam. Esse facto também despertou o interesse. Uma jovem judia pudera fugir da perseguição e viera viver para o Porto.

"Escrevo para todos e espero que todos me leiam”

Ilse Losa



Março 2006
G-Souto

17.11.2012
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