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Saturday, December 13, 2014

Página em construção : Fragmentos digitais de uma professora

Pretende-se repor alguns Projectos desenvolvidos com sucesso nas áreas curriculares de Língua Portuguesa, Francês LE, Cidadania e a utilização de IT ao longo dos anos lectivos 1999-2009, tendo como público alvo, os meus alunos de 2º e 3º ciclos.

Aspecto inovador e pioneiro: o uso das
TIC nas aulas de Línguas e Cidadania.

Será um trabalho paciente de pesquisa das minhas memórias virtuais. Em lapsos de tempos dispares, alguns pr
ojectos irão sendo publicados, sem obedecer, numa primeira fase, à sua ordem cronológica. E serão sempre poucos porque a grande maioria não ficou salvaguardada na web.

Alguma desta memória 
irtual fez parte do site da Escola Francisco Torrinha onde exerci funções docentes como Professora Titular e Professora Formadora durante muitos anos.

Por motivos que desconheço, foi apagada no final do ano lectivo de 2006-2007.


Talvez o sistema de Avaliação de Professores que entrou em vigor nesse ano, possa explicar! É que o "desenvolvimento de experiências de inovação pedagógica" consignado no diploma tinhs um forte peso na avaliação dos docentes!


Detentora de um dos melhores currículos (ensino básico e secundário), reconhecido a nível nacional e internacional, por diversas entidades, é com a mais profunda humildade que o escrevo, esse facto criou um certo mal estar nos 'interesses' dos pares pedagógicos. 

À escola Francisco Torrinha não 'convinha' reconhecer o mérito de uma professora que avançou com uma série de actividades e projectos inovadores ligados à introdução das TIC nos currículos escolares, como competência transdisciplinar dos alunos, em tempos que mais nenhum professor/professora quis acompanhar, até à saída do diploma que valorizava precisamente os Professores Inovadores.





Fui então a única Professora da escola (de 1999 até 2009) a desbravar caminhos pedagógicos  digitais com uma série de actividades e experiências inovadoras: 

Autora de um projecto e-learning para ensino básico e secundário Kidzlearn Lugares & Aprendizagens, descontinuado em 2018, projecto finalista dos Global Junior Challenge (2004), o uso de blogues no ensino (2005), e acesso a um espaço Moodle cedido pela Associação Portuguesa de Telemática Educativa (2006), actualmente descontinuado.

Estas as razões pelas quais estive sujeita, de 2006 a 2009, a grandes pressões por parte de um corpo docente fortemente conservador e inibidor.

Essas pressões continuaram sob as mais variadas formas! Os procedimentos  por parte da Direcção e de pares pedagógicos, sobretudo ligados ao ensino de Língua Portuguesa e Francês LE, foram indignos de um ambiente onde devem imperar os pedagógicos exemplos! 


Mas, não foram, de modo nenhum inibidores de boas práticas. E os alunos aderiram em pleno, com imenso entusiasmo a currículos que, pela primeira vez, vinham ao encontro da sua realidade.


O mesmo diploma afirmava que cada Professor tinha o direito de: Intervir na orientação pedagógica no âmbito dos PE e dos PCE, através da liberdade de escolha de métodos de ensino tecnologia e técnicas de educação e meios auxiliares de ensino.





Education & IT
image: The Guardian/ Technology

Fragmentos Virtuais de uma Professora é pois um pequeno repositório de algumas dessas técnicas de educação, experiências pioneiras e que foram levadas a cabo com entusiasmo desde 1999 até 2010.

Depois dessa data, continuei dar apoio pedagógico aos meus alunos em ambientes digitais.

Tantas horas não lectivas foram dedicadas a uma comunidade escolar, para benefício dos alunos, com a introdução  de novas metodologias e ferramentas educativas. Noites curtas, mal dormidas a preparar as actividades digitais, para pela manhã estar presente, sempre, na escola, a leccionar as aulas curriculares, a partir das 8:30 e a  fazer a formação de jovens professores.


Estou muito satisfeita! Todas as actividades inovadoras que desenvolvi desde muito cedo, e que continuo a desenvolver, permitiram essencialmente que muitos alunos, ao longo de várias gerações, tivessem um ensino e aprendizagens  de qualidade, muito perto da sua realidade, nas aulas de Língua Portuguesa, Língua Francesa LE, numa forte componente de Cidadania, apoiadas nas TIC.




credits: Le Monde/Campus

E, no complemento das aulas, em espaço virtual, lidando assim, pela primeira vez, a nível do ensino básico e secundário, com uma série de recursos e ferramentas educativas digitais que complementaram o processo de ensino e aprendizagem, tais como e-learning, moodleblogues, comunidades colaborativas. intercâmbios escolares europeus, ambientes educativos virtuais que foram ao encontro das novas exigências dos digital kids, novas gerações que apareceram nas escolas a partir de 1999, levando-as ao sucesso escolar, num tempo em que a escola tradicional não estava preparada para os receber e não queria praticar o ensino diferenciado.

Os formandos partilharam de todos estes meus sonhos que lhes abriram novos panoramas pedagógicos. Ainda hoje mantenho contacto com muitos deles.

Foi preciso dar o salto de qualidade e inovação da escola tradicional para a escola pluridimensional. E eu estive na linha da frente, como certamente alguns professores de outras escolas. Não muitos!





Formadora de Formadores
Autor não identificado
imagem via Google Images

Também me sinto realizada com a forte componente pedagógica pessoal e de inovação que transmiti aos meus formandos, bem como a jovens professores que, entretanto foram passando pela escola, e que me solicitavam apoio e informação numa área para a qual estavam receptivos, mas não tinham apoio didáctico por parte dos seus delegados.

Como Formadora de Formadores pretendo, assim, em ambiente virtual que é este espaço Fragmentos Virtuais de uma Professora, incentivar novos Professores a experienciar diferentes caminhos, servindo de exemplo. 

Pedagogicamente, muito é possível nesta área tão vasta que é o ensino onlinequando se pretende que os nossos alunos fruam de recursos criativos num ambiente de aprendizagem de verdadeira partilha de saberes!

Espero poder inspirar alguns jovens professores com este blogue! Será para mim, uma grande alegria!






This blog Digital Fragments of an Educator contains different and various pedagogical activities developed by the use if IT in school curricula: Portuguese (as a native language), French (as a foreign language) and Civics Education. 


My students aged 10-16 years (elementary and secondary education) were the first generation having smartphones. They loved to be the first Portuguese students to learn IT and  include it in Languages and Civics curriculum. They were the first 'digital natives' (Marc Prensky) to come to school (1999) in Portugal.

They were excited and they worked on fantastic and creative projects. The activities have been developed from 1999 to 2009.

They learned in school, face-to-face teaching, but also online (after school time) at my e-elearning project Kidzlearn Lugares & Aprendizagens, discontinued in 2018, finalist at Global Junior Challenge (2004), Rome, Italy, Moodle Lugares & Aprendizagens, discontinued in 2016, and some school blogs as BlogdosCaloiros, BlogSkidz & international educational networks.




Education & IT
image: The Guardian/ Technology

This blog Digital Fragments of an Educator is a digital repository of some of those activities that I will try to remember as the "memoirs of a digital teacher".

The activities are not published by subject or date. For the moment, posts are published in view of my free time (and it is not so much), my memoirs,   documents founded in my personal notes or my files as a teacher. But the order, it's not important!




Trainer of school teachers
credits: not identified
via Google Images

As a former Trainer teacher, this blog and all the projects and activities included in it, might be helpful to some educators and young teachers. Sharing with you some different ideas to include into school curricula to motivate students in a face-to-face teaching and learning or in non formal learning is my ideal using IT and educational digital resources in school education.

Teaching and learning is no more listening quietly the teacher. Teaching and learning is students 'doing' with the tutoring of the teacher.

Digital educational resources (OER) and games in school are an important and serious goal in the XXI century focus on the changing of Education. 

Here you will find open educational resources to improve your lessons, if you wish.

Hope I can help and inspire some of you!

A Autora| The Author

Teacher|  Teacher Assessor

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Última actualização em 05.02.2017
Last update: February 05, 2017


Friday, November 16, 2012

Ilse Losa: uma escritora luso-alemã que viveu no Porto






O Mundo em que Vivi
 Ilse Losa |
Edições Afrontamento
"Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra mundial, até ao avolumar de crises que por fim a obrigam ao exílio mesmo na iminência de um destino trágico num campo de concentração..."

Prof. Dr. Óscar Lopes, 
in Edições Afrontamento




Ilse Losa 1913-2006
"Há livros escritos para crianças que suplantam em valor literário uma longa fiada de volumosos romances para adultos, do mesmo modo que um pequeno desenho a carvão suplanta, tantas vezes, grandes composições policromáticas a óleo".

Ilse Losa





O Mundo em que Vivi
Ilse Losa
Maranus/ Porto 1949


Ilse Lieblich Losa nasceu na Alemanha em 1913. Por ser judia, foi obrigada a fugir da Alemanha, durante a perseguição Nazi, e acompanhando seus pais, refugiou-se em Portugal, e adquiriu a nacionalidade portuguesa. 

Aos 21 anos, radicou-se em Portugal, na cidade do Porto, onde o irmão mais velho, Fritz Lieblich, já residia. Aqui casou em 1935 com o arquitecto Arménio Taveira Losa, tendo adquirido a nacionalidade portuguesa.

Ilse Lieblich Losa, escritora portuguesa de origem alemã e de ascendência judaica, nasceu a 20 de Março de 1913, em Bauer, uma cidade perto de Hanover.






Escritora de grande prestígio e de vasta bibliografia, publicou romances, contos, crónicas, trabalhos pedagógicos e muita literatura para crianças. Mas é conhecida principalmente pelos seus livros para crianças.

Recebeu o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da sua obra para crianças. Foi candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen.Tem vários livros publicados na Alemanha.

Em 1982 o seu livro " A Quinta das Cerejas" obteve o "Prémio Gulbenkian de Texto". E em 1984, Ilse Losa obteve o "Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças", pelo conjunto da sua obra para crianças.








O Expositor 
Ilse Losa (1982)
Ilustração António Modesto
Edições Afrontamento


"Há livros escritos para crianças que suplantam em valor literário uma longa fiada de volumosos romances para adultos, do mesmo modo que um pequeno desenho a carvão suplanta, tantas vezes, grandes composições policromáticas a óleo".



Ilse Losa



Foi candidata portuguesa ao "Prémio Hans Christian Andersen". Tem vários livros publicados na Alemanha. Também com livros publicados em França.






Ilse Losa 1913-2006

A autora de O Mundo em que Vivi morreu aos 92 anos no dia 6 de Janeiro 2006.

Com o Porto, cidade que a acolheu num período difícil da sua vida, Ilse Losa manteve sempre uma relação de proximidade.



Para o historiador Helder Pacheco, que chegou a ser vizinho da escritora, o segredo residiu em "perceber e adaptar-se à cidade."


Segundo Óscar Lopes "os seus livros são uma só odisseia interior de uma demanda infindável da pátria, do lar, dos céus a que uma experiência vivida só responde com uma multiplicidade de mundos que tanto atraem como repelem e que todos entre si se repelem".



Silka
Ilse Losa
ilustração: Manuela Bacelar
Livros Horizonte, 1984


Em 1989 ganhou o Prémio Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava, pelo conto Silka.

O livro relata uma lenda nórdica que um dia contaram a Ilse Losa e que ela recria à sua maneira: bela e triste. Uma menina, Silka, enamora-se de Reinaldo e com ele vai viver para o fundo do mar.

Em Junho de 1995 foi feita Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.


Sobre O Mundo em que Vivi, uma obra ce carácter autobiográfico, escreveu Óscar Lopes:

"Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra Mundial, até ao avolumar de crises (inflação, desemprego, assassínio de Rathenau,aumento de influência e vitória dos Nazistas) que por fim a obrigam ao exílio mesmo na iminência de um destino trágico num campo de concentração." (...)

Professor Dr. Óscar Lopes


 

 O Quadro Roubado
Ilse Losa
ilustração: João Nunes, 1985
Edições ASA

Actividades:

A autora viveu uma grande parte da sua vida na Foz do Douro, bem perto da escola. Havia alunos nas turmas que moravam perto de Ilse Losa.

Nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos desenvolveram as seguintes actividades:
  • Em grupo restrito fizeram uma pequena reportagem, recolhendo testemunhos de vizinhos;
  • Pesquisa sobre a autora e sua obra infanto-juvenil;
  • Elaboração de um Jornal de Parede: notícias saídas nos jornais sobre a autora, após a sua morte;
  • Leitura em grupos de obras O Mundo em que Vivi; O Quadro Roubadoseguida de análise de conteúdo (perseguição Nazi aos judeus, crianças enviadas e mortas em campos de concentração), seguida do estudo do Texto Narrativo;
  • Elaboração de textos de escrita criativa: poesia, contos, relatos de guerra de jovens;
  • Publicação no sítio web da escola de uma pequena homenagem à autora (posteriormente retirada);
  • Elaboração de um curta homenagem a Ilse Losa no BlogdosCaloiros como introdução às actividades
  • Apresentação de Ilse Losa: écrivain portugaise d'origine allemande no BlogSkidz, blogue de intercâmbio cultural entre escolas França-Portugal com alunos do Lycée Charles DeGaulle;

  • Trabalho transdisciplinar dos currículos de Língua Portuguesa | História | EVT






Em 2013, a Biblioteca de Esposende comemorou o Centenário da escritora (1913-2013), iniciativa que visou recordar a conceituada escritora, de origem alemã, que manteve forte ligação a Esposende, recordando assim a sua obra.

Também nesse ano, Ilse Losa foi celebrada com um selo integrado na Colecção Vultos da História e Cultura.





Selo comemorativo Ilse Losa
CTT Portugal, 2013


Excerto: 

"Ser judia

O primeiro dia da escola. A saca às costas, caminhei ao lado da minha mãe, cheia de curiosidade e de receios. O sr. Brand, o professor, distribuía sorrisos animadores aos meninos, que o fitavam com desconfiança. A barba grisalha e o colarinho engomado davam-lhe um ar de austeridade, mas os olhos alegres protestavam contra tal impressão. Começou por nos falar, e doseava serenidade com humor para afugentar os nossos medos. De todas as escolas por que passei, a de que verdadeiramente gostei foi a escola primária. Quando o sr. Brand tomou nota do meu nome ninguém se virou para mim com sorrizinhos por soar a judaico, ninguém achou estranho eu responder «Israelita» à pergunta do sr. Brand à minha religião. Fora a mãe que me recomendara: «Quando o sr. Brand te perguntar pela religião, diz-lhe que és israelita. Soa melhor do que judia». Eu não concordava, porque achava «israelita» uma palavra estranha que não parecia pertencer à minha língua e, por isso, corei de embaraço ao pronunciá-la. E quando o sr. Brand quis saber a profissão do meu pai respondi «negociante de cavalos». Coisa natural. Muitos alunos eram filhos de lavradores e conheciam o meu pai. Não me sentia envergonhada daquilo que eu e o meu pai éramos, como aconteceria mais tarde, no liceu, quando a minha mãe me recomendou que às perguntas respondesse, além de «sou israelita», que o meu pai era «comerciante».
(...)

No primeiro dia de aulas tivemos de dizer o nosso nome e profissão do pai e a religião. Conforme recomendação da minha mãe eu disse:

- O meu pai é comerciante. Sou israelita.

Na escola primaria tudo fora natural. No liceu colegas viraram-se e olharam-me. Mais duas judias faziam parte da turma e uma delas, Hanna Berg, respondeu à pergunta com voz firme: «Sou judia». Os gestos de Hanna eram extraordinariamente vivos e comunicativos, enquanto nos seus olhos havia a expressão dessa melancolia penetrante das seculares lendas de sabedorias e flagelos."

Ilse Losa, O Mundo em que vivi (excertos)






Comentário:

Os alunos empenharam-se com entusiasmo nas actividades propostas e sentiram-se muito ligados ao tema da perseguição de crianças e adolescentes em regimes de guerra.

Sabiam alguns alunos que a escritora vivera bem perto da escola que frequentavam. Esse facto também despertou o interesse. Uma jovem judia pudera fugir da perseguição e viera viver para o Porto.

"Escrevo para todos e espero que todos me leiam”

Ilse Losa



Março 2006
G-Souto

17.11.2012
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actualizado em Dezembro 2016


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